#PostCalango: A diferença entre o violão de 7 e o de 6 cordas, por José Roberto Leão

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O violão de 7 cordas é uma derivação do violão de 6 cordas, ou seja, o instrumento recebeu uma corda a mais, aumentando assim a sua extensão. Mas a diferença principal não está no simples fato de possuir a sétima corda, mas sim na sua execução.

Ele surgiu lá pela década de 30, nos tradicionais regionais de choro, com a necessidade de estender as notas graves, assemelhando-se aos instrumentos de sopro como a tuba, o bombardino e o oficleide.

A sua execução foi evoluindo até que, na década de 50, ganhou linguagem própria nas mãos de Horondino José da Silva, o Dino 7 cordas, que passou a utilizar novas formas ritmo-melódicas, com fraseados que fazem do 7 cordas hoje talvez o mais importante instrumento de acompanhamento nos conjuntos de samba e choro.

Naquela época, os chamados regionais utilizavam, além do 7 cordas, outros instrumentos de harmonia, tais como o violão de 6 cordas e o cavaquinho de acompanhamento. Com isso, o 7 cordas tinha como função principal a condução do fraseado nas cordas mais graves, em contraponto à melodia do solista. É o que chamamos de “baixaria”.

Como as possibilidades de amplificação ainda eram precárias,  utilizavam-se cordas de aço, por possuírem sonoridade mais forte, bem como a dedeira no dedo polegar, para dar um destaque maior nas frases.

Enquanto o 7 cordas atuava com fraseados nas notas mais graves, o violão de 6 cordas conduzia a harmonia através da progressão dos acordes, utilizando os dedos indicador, médio e anelar nas cordas mais agudas. É o que se chama de “levada”.

No início dos anos 80, o violonista Luiz Otavio Braga, quando atuava na Camerata Carioca do Maestro Radamés Gnattali, passou a utilizar cordas de nylon no violão de 7 cordas, buscando uma timbragem mais homogênea com os outros dois violões de 6 cordas existentes no grupo. A partir daí, o violão de 7 cordas passou a ser utilizado também como instrumento solista, nas mãos de Raphael Rabello, e seguido por Mauricio Carrilho, Yamandu Costa,  Rogério Caetano e muitos outros.

Hoje, pela diversidade de ritmos e estilos musicais, os conjuntos não só de choro, mas de uma forma geral, passaram a utilizar formações diferentes das tradicionais. Com isso, o violão de 7 cordas ganhou nova função, podendo atuar como solista, ou como único acompanhador formando dupla com um cantor, por exemplo, ou em um trio, onde podemos ter um violão, uma percussão e um instrumento solista.

Especificamente no caso do Taruíra, eu utilizo o meu violão de 7 cordas em inúmeras funções, podendo ser na forma tradicional, conduzindo as  baixarias em contraponto à melodia do sax tenor, quando este atua como solista; como violão de 6 cordas, para acompanhamento no momento dos solos do cavaquinho; e às vezes até mesmo como contrabaixo, para manter o peso das notas graves em função da bateria.

Com isso, nos dias atuais o violão de 7 cordas atua, na maioria das vezes,  como único instrumento de harmonia dentro da base do acompanhamento. Isto significa que os espaços  deixados entre as “baixarias”, devem ser preenchidos pela “levada”. Entendemos, portanto,  que pode ter havido uma fusão entre o de 6 e o de 7.