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O choro é um gênero essencialmente instrumental, embora muitos tenham letra. Os ritmos do choro são dançáveis, mas a execução dessa música pelo instrumentista exige preparo técnico, ou melhor dizendo, apuro técnico. Prefiro considerar o choro como música para ser ouvida. Ele é o nosso jazz.

Penso também que o choro pode ser tocado por qualquer instrumento. Usa-se muito a flauta, sax, clarinete, trompete e o trombone. 0 Pixinguinha era um exímio flautista do choro, depois passou para o sax tenor. Na década de 40, ele fez uma série de gravações com o flautista Benedito Lacerda, tocando o sax tenor. Várias músicas do repertório do Taruíra reproduzem os duetos que Pixinguinha fazia com o Benedito.

No choro também se improvisa, como no jazz. É uma curtição e um desafio, você ter que “inventar” outra melodia dentro da harmonia da música. Neste aspecto o jazz influenciou muito o choro.

Confira abaixo uma das composições de Charlie Parker, gravada no primeiro disco do Taruíra:

O sexteto instrumental Taruíra traz toda a sua brasilidade para a canção “Parei de vez”, maxixe que faz parte do disco “Miquimba, réquiem para um pé-de-chinelo”, do compositor Jorge Curuca. O CD foi lançado no final de 2013 e a música ganhou a voz de Marcos Sacramento, uma das principais do samba moderno carioca.

Sacramento já gravou e se apresentou com alguns dos maiores nomes da música brasileira e é acompanhado dessa vez por Breno Morais (flauta), Carlos Watkins (saxofones tenor e barítono), Guto Menezes (cavaquinho), Leandro Mattos (pandeiro e surdo), Yuri Garrido (bateria e percussão) e José Roberto Leão (violão de sete cordas).

José Roberto também é responsável pela produção, arranjos e direção musical do álbum, além de tocar violões de 6 e 7 cordas, cavaquinho e viola caipira nas demais faixas do disco.

Perguntado sobre a música, o compositor Jorge Curuca explicou: “O maxixe ‘Parei de Vez’, última faixa do ‘Miquimba, réquiem para um pé-de-chinelo’, dormiu na gaveta por mais de quinze anos até dar à luz na forma como foi executado, sem os fricotes modernos e sem aparatos deformadores de sua assumida singeleza. Isso devo ao grupo Taruíra, com seu arranjo adequado e perfeitamente melódico: os sopros se falando com os metais e com a voz especialíssima de Marcos Sacramento. É o que chamo de maxixe-maxixe, ensaiando um preito de agradecimento aos seus criadores de agora e aos de sempre. Viva  Sinhô. Viva Mário Reis”.

A faixa está disponível na página do grupo no Soundcloud e pode ser ouvida gratuitamente abaixo:

 

Uma das canções de José Siqueira de Alcântara, composta há 30 anos e gravada apenas em 2013, já está recebendo sua primeira releitura. “Razão” é uma das faixas do disco “Entre Nós”, e ganhou um novo arranjo do grupo Taruíra, sexteto de choro contemporâneo que lançou o vídeo para a música nessa segunda-feira (13) em seu canal do YouTube.

Siqueira, como é conhecido, é integrante da Velha Guarda da Mangueira e já tocou com alguns dos principais nomes do chorinho. O cavaquinista lançou seu primeiro CD apenas aos 75 anos – e mais de 450 composições depois. Uma das 14 músicas do álbum era “Razão”, que ganhou arranjo e violão de sete cordas de José Roberto Leão e saxofone tenor de Carlos Watkins, ambos integrantes do Taruíra, além da participação de Dirceu Leite no clarinete.

“É um tema criado para instrumentos de sopro, em especial os de gafieira. Nessa música, Siqueira revela um pouco da convivência com o amigo e grande clarinetista Pitanga, com quem tocou durante muito tempo”, conta Leão.

A música, que é uma das mais recentes adições ao repertório do Taruíra, faz parte das rodas de choro que o sexteto realiza há mais de quatro anos em Petrópolis (RJ). As apresentações deram origem ao vídeo, gravado ao vivo em frente a um dos principais cartões postais de cidade, o Palácio Quitandinha, durante o Festival Sesc Rio de Inverno.

Desde o lançamento de seu primeiro DVD, em 2009, o Taruíra vem fazendo o resgate de alguns dos mais importantes temas do choro, sempre com arranjos próprios. Entre os últimos lançamentos estão as faixas “Carioquinha”, de Waldir Azevedo, e “Espinha de Bacalhau”, de Severino Araújo, ambas disponíveis em sua página do Soundcloud.

Assista!