Uma das canções de José Siqueira de Alcântara, composta há 30 anos e gravada apenas em 2013, já está recebendo sua primeira releitura. “Razão” é uma das faixas do disco “Entre Nós”, e ganhou um novo arranjo do grupo Taruíra, sexteto de choro contemporâneo que lançou o vídeo para a música nessa segunda-feira (13) em seu canal do YouTube.

Siqueira, como é conhecido, é integrante da Velha Guarda da Mangueira e já tocou com alguns dos principais nomes do chorinho. O cavaquinista lançou seu primeiro CD apenas aos 75 anos – e mais de 450 composições depois. Uma das 14 músicas do álbum era “Razão”, que ganhou arranjo e violão de sete cordas de José Roberto Leão e saxofone tenor de Carlos Watkins, ambos integrantes do Taruíra, além da participação de Dirceu Leite no clarinete.

“É um tema criado para instrumentos de sopro, em especial os de gafieira. Nessa música, Siqueira revela um pouco da convivência com o amigo e grande clarinetista Pitanga, com quem tocou durante muito tempo”, conta Leão.

A música, que é uma das mais recentes adições ao repertório do Taruíra, faz parte das rodas de choro que o sexteto realiza há mais de quatro anos em Petrópolis (RJ). As apresentações deram origem ao vídeo, gravado ao vivo em frente a um dos principais cartões postais de cidade, o Palácio Quitandinha, durante o Festival Sesc Rio de Inverno.

Desde o lançamento de seu primeiro DVD, em 2009, o Taruíra vem fazendo o resgate de alguns dos mais importantes temas do choro, sempre com arranjos próprios. Entre os últimos lançamentos estão as faixas “Carioquinha”, de Waldir Azevedo, e “Espinha de Bacalhau”, de Severino Araújo, ambas disponíveis em sua página do Soundcloud.

Assista!

Taruíra5_Mariana Rocha

O sexteto de chorinho Taruíra lançou nesta segunda-feira (16) a faixa “Espinha de Bacalhau” em suas páginas oficiais na internet. A composição de Severino Araújo foi a escolhida pelo grupo para dar continuidade ao resgate de músicas tradicionais do gênero, sempre com uma interpretação nova, original e contemporânea.

Para isso, o Taruíra desenvolveu seu próprio arranjo para a música, que ganhou uma sonoridade bastante encorpada a cargo de Breno Morais (flauta e sax soprano), Carlos Watkins (sax tenor), Guto Menezes (cavaquinho), José Roberto Leão (violão de sete cordas), Leandro Mattos (pandeiro) e Yuri Garrido (bateria).

A ideia surgiu há mais de um ano, nas próprias rodas de choro realizadas pelo grupo. Severino Araújo faleceu em agosto de 2012, durante o desenvolvimento da versão do Taruíra, aos 95 anos – 89 deles dedicados à música.

“Muita gente pedia esse choro como um desafio. Decidimos criar um arranjo mais com a nossa cara, que trouxesse a sonoridade do Taruíra, ao invés de tocar da forma mais tradicional. Fizemos questão de gravá-lo como uma forma de homenagear o legado desse que foi um dos nossos maiores instrumentistas, compositores e maestros”, conta Breno Morais.

Escrita em 1937, a música recebeu esse nome como um desafio ao clarinetista e parceiro de Severino, K-Ximbinho. A melodia extensa quase não permite que o solista respire, o que faz desta uma das composições de maior complexidade dentro do gênero. “O fato de o choro ter muitas notas pode fazer o músico engasgar, tal qual uma espinha de bacalhau”, chegou a explicar o autor.

A música está disponível para ser ouvida e abaixo: