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O violão de 7 cordas é uma derivação do violão de 6 cordas, ou seja, o instrumento recebeu uma corda a mais, aumentando assim a sua extensão. Mas a diferença principal não está no simples fato de possuir a sétima corda, mas sim na sua execução.

Ele surgiu lá pela década de 30, nos tradicionais regionais de choro, com a necessidade de estender as notas graves, assemelhando-se aos instrumentos de sopro como a tuba, o bombardino e o oficleide.

A sua execução foi evoluindo até que, na década de 50, ganhou linguagem própria nas mãos de Horondino José da Silva, o Dino 7 cordas, que passou a utilizar novas formas ritmo-melódicas, com fraseados que fazem do 7 cordas hoje talvez o mais importante instrumento de acompanhamento nos conjuntos de samba e choro.

Naquela época, os chamados regionais utilizavam, além do 7 cordas, outros instrumentos de harmonia, tais como o violão de 6 cordas e o cavaquinho de acompanhamento. Com isso, o 7 cordas tinha como função principal a condução do fraseado nas cordas mais graves, em contraponto à melodia do solista. É o que chamamos de “baixaria”.

Como as possibilidades de amplificação ainda eram precárias,  utilizavam-se cordas de aço, por possuírem sonoridade mais forte, bem como a dedeira no dedo polegar, para dar um destaque maior nas frases.

Enquanto o 7 cordas atuava com fraseados nas notas mais graves, o violão de 6 cordas conduzia a harmonia através da progressão dos acordes, utilizando os dedos indicador, médio e anelar nas cordas mais agudas. É o que se chama de “levada”.

No início dos anos 80, o violonista Luiz Otavio Braga, quando atuava na Camerata Carioca do Maestro Radamés Gnattali, passou a utilizar cordas de nylon no violão de 7 cordas, buscando uma timbragem mais homogênea com os outros dois violões de 6 cordas existentes no grupo. A partir daí, o violão de 7 cordas passou a ser utilizado também como instrumento solista, nas mãos de Raphael Rabello, e seguido por Mauricio Carrilho, Yamandu Costa,  Rogério Caetano e muitos outros.

Hoje, pela diversidade de ritmos e estilos musicais, os conjuntos não só de choro, mas de uma forma geral, passaram a utilizar formações diferentes das tradicionais. Com isso, o violão de 7 cordas ganhou nova função, podendo atuar como solista, ou como único acompanhador formando dupla com um cantor, por exemplo, ou em um trio, onde podemos ter um violão, uma percussão e um instrumento solista.

Especificamente no caso do Taruíra, eu utilizo o meu violão de 7 cordas em inúmeras funções, podendo ser na forma tradicional, conduzindo as  baixarias em contraponto à melodia do sax tenor, quando este atua como solista; como violão de 6 cordas, para acompanhamento no momento dos solos do cavaquinho; e às vezes até mesmo como contrabaixo, para manter o peso das notas graves em função da bateria.

Com isso, nos dias atuais o violão de 7 cordas atua, na maioria das vezes,  como único instrumento de harmonia dentro da base do acompanhamento. Isto significa que os espaços  deixados entre as “baixarias”, devem ser preenchidos pela “levada”. Entendemos, portanto,  que pode ter havido uma fusão entre o de 6 e o de 7.

O sexteto instrumental Taruíra traz toda a sua brasilidade para a canção “Parei de vez”, maxixe que faz parte do disco “Miquimba, réquiem para um pé-de-chinelo”, do compositor Jorge Curuca. O CD foi lançado no final de 2013 e a música ganhou a voz de Marcos Sacramento, uma das principais do samba moderno carioca.

Sacramento já gravou e se apresentou com alguns dos maiores nomes da música brasileira e é acompanhado dessa vez por Breno Morais (flauta), Carlos Watkins (saxofones tenor e barítono), Guto Menezes (cavaquinho), Leandro Mattos (pandeiro e surdo), Yuri Garrido (bateria e percussão) e José Roberto Leão (violão de sete cordas).

José Roberto também é responsável pela produção, arranjos e direção musical do álbum, além de tocar violões de 6 e 7 cordas, cavaquinho e viola caipira nas demais faixas do disco.

Perguntado sobre a música, o compositor Jorge Curuca explicou: “O maxixe ‘Parei de Vez’, última faixa do ‘Miquimba, réquiem para um pé-de-chinelo’, dormiu na gaveta por mais de quinze anos até dar à luz na forma como foi executado, sem os fricotes modernos e sem aparatos deformadores de sua assumida singeleza. Isso devo ao grupo Taruíra, com seu arranjo adequado e perfeitamente melódico: os sopros se falando com os metais e com a voz especialíssima de Marcos Sacramento. É o que chamo de maxixe-maxixe, ensaiando um preito de agradecimento aos seus criadores de agora e aos de sempre. Viva  Sinhô. Viva Mário Reis”.

A faixa está disponível na página do grupo no Soundcloud e pode ser ouvida gratuitamente abaixo:

 

Uma das canções de José Siqueira de Alcântara, composta há 30 anos e gravada apenas em 2013, já está recebendo sua primeira releitura. “Razão” é uma das faixas do disco “Entre Nós”, e ganhou um novo arranjo do grupo Taruíra, sexteto de choro contemporâneo que lançou o vídeo para a música nessa segunda-feira (13) em seu canal do YouTube.

Siqueira, como é conhecido, é integrante da Velha Guarda da Mangueira e já tocou com alguns dos principais nomes do chorinho. O cavaquinista lançou seu primeiro CD apenas aos 75 anos – e mais de 450 composições depois. Uma das 14 músicas do álbum era “Razão”, que ganhou arranjo e violão de sete cordas de José Roberto Leão e saxofone tenor de Carlos Watkins, ambos integrantes do Taruíra, além da participação de Dirceu Leite no clarinete.

“É um tema criado para instrumentos de sopro, em especial os de gafieira. Nessa música, Siqueira revela um pouco da convivência com o amigo e grande clarinetista Pitanga, com quem tocou durante muito tempo”, conta Leão.

A música, que é uma das mais recentes adições ao repertório do Taruíra, faz parte das rodas de choro que o sexteto realiza há mais de quatro anos em Petrópolis (RJ). As apresentações deram origem ao vídeo, gravado ao vivo em frente a um dos principais cartões postais de cidade, o Palácio Quitandinha, durante o Festival Sesc Rio de Inverno.

Desde o lançamento de seu primeiro DVD, em 2009, o Taruíra vem fazendo o resgate de alguns dos mais importantes temas do choro, sempre com arranjos próprios. Entre os últimos lançamentos estão as faixas “Carioquinha”, de Waldir Azevedo, e “Espinha de Bacalhau”, de Severino Araújo, ambas disponíveis em sua página do Soundcloud.

Assista!

Há quem diga que George Harrison recorreu a notas de “Asa branca” na música “The inner light”. Mas que os Beatles combinam com Gonzagão, não há dúvidas. Quem comprova isso é o grupo Taruíra: o sexteto instrumental une o chorinho a uma gama de ritmos brasileiros, latinos e até jazz e criou uma versão única para “Ticket to ride”. A música de John Lennon, gravada no disco “Help!”, ganhou contornos de “Baião”, um dos grandes sucessos de Luiz Gonzaga, em um arranjo dançante e inédito.

Uma brincadeira do flautista Breno Morais, que tocava o início da música dos Beatles com a melodia de “Asa branca” nos ensaios, foi levada a sério assim que o grupo percebeu o potencial da junção. A inspiração veio nos primeiros acordes do disco “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, que funciona como uma porta de entrada para a inusitada junção de ritmos. Com as vozes adaptadas para o saxofone, a flauta, a viola caipira e o violão, o arranjo foi ganhando forma. “Cada integrante colocou seu instrumento na introdução e, unindo à ideia inicial, foi dando certo. Virou um grande arranjo em grupo”, relembra o violonista José Roberto Leão.

A música, que é uma das mais recentes adições ao repertório do Taruíra, faz parte das rodas de choro que o sexteto realiza de forma independente há quatro anos em Petrópolis (RJ). As apresentações deram origem ao vídeo, gravado ao vivo, trazendo para o registro o encontro improvável desses dois ícones da música – e também de gerações distintas redescobrindo um gênero musical que aos poucos volta a ganhar as praças. Confira o vídeo: