Taruíra

Taruíra: mais de uma década de história

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No estado do Espírito Santo, “taruíra” nada mais é que a comum lagartixa de parede. No Rio de Janeiro, Taruíra já virou sinônimo de boa música, que mescla tradição com modernidade. Nada como uma palavra genuinamente brasileira para dar nome ao que é hoje um dos mais conceituados expoentes do chorinho contemporâneo. Esta, no entanto, não é a única faceta do grupo, que reúne linguagens múltiplas e enfoca amúsica brasileira e latina em geral.

Formado por Breno Morais (sax soprano e flauta), Carlos Watkins (sax tenor), José Roberto Leão (violão de sete cordas) e Yuri Garrido (bateria), o grupo começou em 2002 como um trio e passou por mudanças na formação, inclusive agregando novos membros, sempre em busca de uma identidade sonora.

O primeiro CD viria em 2007, com 14 canções já consagradas, como “Bolero”, “No balanço do jequibau” e “Pato Preto”, de compositores como Pixinguinha, Tom Jobim, Hermeto Paschoal, Guerra Peixe, Maurice Ravel, Garoto, entre outros. O músico bandolinista Paulo Sá foi o responsável pelos arranjos do trabalho independente, conferindo à obra originalidade e explorando a potencialidade nata do conjunto de músicos, em uma versátil mescla de influências.

Grandes nomes da música instrumental participaram do CD de estreia do Taruíra, entre eles Jorginho do Pandeiro (Época de Ouro), Celsinho Silva (Nó Em Pingo D’Água), Andréa Ernest Dias (Orquestra Ouro Negro, Pife Muderno e Quinteto Pixinguinha) e Durval Pereira (Pife Muderno). O disco está esgotado e foi vendido nas melhores lojas do ramo em todo o estado do Rio de Janeiro, com veiculações em rádios de grande porte e renome, como as rádios Mec e Roquete Pinto FM.

Naquele mesmo ano, o grupo deu o pontapé inicial em um projeto que viraria sua marca registrada em Petrópolis: as rodas de choro na Praça da Mosela, onde o Taruíra se apresentou por mais de três anos. O evento começou como um encontro de músicos ao ar livre, mas cresceu e se estendeu por centenas de domingos.

Através da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, o Choro nas Praças foi expandido aoutros locais da cidade, passando a fazer parte do lazer e da formação cultural dos petropolitanos, fomentando, ainda, o apoio dos órgãos públicos e da iniciativa privada.

Sentindo a necessidade de uma divulgação especializada para o trabalho, em 2010 foi lançado o Taruíra Jornal, que, além de informar o público sobre as atividades do grupo, visava ao aquecimento cultural da região.

O ano de 2011 marcou a realização de um sonho do Taruíra. A vontade de produzir um material em vídeo do grupo ganhou uma nova perspectiva sob o comando da ParaRaio Filmes. A produtora de Juiz de Fora (MG) propôs a parceria que levaria à gravação do DVD “Nas Nuvens”, com uma linguagem visual única, em uma combinação perfeita com a identidade do grupo. O trabalho tem distribuição independente, além de já estar disponível para ser assistido gratuitamente na internet.

É a própria internet que serve de base para um trabalho de resgate do choro que oTaruíra faz ainda mais ativamente desde 2013. O grupo disponibiliza online versões e releituras para músicas que são algumas das principais referências do choro. Composições como “Carioquinha”, de Waldir Azevedo, “Espinha de bacalhau”, de Altamiro Carrilho e, mais recentemente, “Chorando baixinho”, em homenagem ao centenário de Abel Ferreira, deram o tom do trabalho, que traz uma nova interpretação para temas clássicos e tradicionais do choro.

Nestes anos de trajetória, o grupo se apresentou em locais como o Festival Café, Cachaça e Chorinho, 1º Encontro Nacional de Empreendedorismo Cultural, Jogos Mundiais Militares 2011, projeto Choro no Werneck, na Feira da Providência e no Rio Scenarium, no Rio de Janeiro; no Bar da Fábrica e no Café Muzik, em Juiz de Fora; e no Palácio de Cristal, festivais de inverno do Sesc e da Dell’Arte e no Palácio Rio Negro, em Petrópolis, além de projetos e shows em Teresópolis, Nova Friburgo, Paty do Alferes, Ipatinga e Belo Horizonte.

O Taruíra é uma produção Barba Branca.